Quando criança, ele era tímido, retraído e, muitas vezes, mal-humorado. Entre familiares, era carinhoso e brincalhão. Contraditório. Uma criança impaciente. Brincava como todas as outras e pensava como nenhuma. Era inquieto, na mente e no corpo. Porém, desde essa época, percebeu-se que a paixão pautaria a sua vida. Não somente por pessoas: tudo, potencialmente, era objeto de suas paixões. Apaixonava-se facilmente por qualquer coisa.
Com mais idade, foi perdendo a timidez. No entanto, menos tímido ele ficava, mais agressivo aos olhos dos outros parecia. Mas ele era amável. E pouca gente percebia. Começou a notar que precisaria de mudanças. Para ter e cultivar amigos – e estes ele não abandonaria até o final da sua vida –, tentou, muitas vezes sem êxito, controlar a impulsividade. Conseguiu, algumas vezes, ter estabilidade e solidez emocional. Ele era “de lua”, como diziam os amigos e as primeiras namoradas. Melhorou, sem dúvida. Mas aquela alma era febril. Não sossegaria nunca. Sentia sempre falta de alguma coisa em si e isso parecia ser o seu próprio combustível. Era isso que o impulsionava a procurar melhorias em seu ser.
Esse cara defendia com tanta força e emoção suas opiniões que todos julgavam que ele estava brigando. Nada disso, gente. Era paixão! Paixão pelo debate. Nada poderia impedi-lo de dizer tudo que estava em sua cabeça quando ele achava que estava certo - mesmo que viesse a se arrepender depois. E quantas vezes arrependeu-se! O seu instinto impulsivo o traiu em inúmeros momentos. E tantas foram as vezes que esse mesmo instinto o salvou.
Entregava-se às paixões e aos amores com voracidade. Tinha mesmo um apetite devorador e insaciável. Adorava uma frase do Cazuza que dizia: "Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta". Ligava a seus relacionamentos. Mas, às vezes, saía deles com a mesma rapidez e violência com que havia entrado. Sofreu um tanto, mas foi, assim, feliz em grande parte da sua vida. Costumava dizer que a busca incessante do ser humano é o amor. E acreditava nisso.
Relacionava-se com sua família com mais amor e paixão ainda. Parecia não caber dentro daqueles seres tanto sentimento. Eles eram tanto coração, era tanto sentimento, que foi inevitável não haver brigas também. Mas não havia um ser no mundo que não visse uma desmedida beleza na relação daqueles três. Foi a coisa mais forte e bonita que eu já vi na minha vida.
Esse cara era contraditório em essência, o que revelava o quão humano ele era por trás das impressões que deixava por aí. Personalidade fortíssima, gênio difícil, senso de humor sem rival, às vezes grosseiro, mas com um coração do tamanho do mundo e um senso de justiça que carregava desde a infância. Poderia até ser grosso, mas dificilmente cometia injustiças, e se o fizesse, tinha a humildade de reconhecer os erros, consertá-los e desculpar-se de todo o coração.
Eu que conheci, posso dizer: esse cara foi um guerreiro. Travou lutas intermináveis contra si mesmo. Lutou contra as contradições. As suas e as do mundo, ao seu jeito. E, digo: além de guerreiro, foi um vencedor. Conseguiu mudar o mundo ao seu redor. Marcou a vida de pessoas maravilhosas. Buscou o bem, sempre, para si e para os outros. Foi, sobretudo, corajoso para encarar suas imperfeições e buscar incessantemente o amor. O amor por si e pelo ser humano. E conseguiu.
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ResponderExcluirParece contigo, será que é°?
ResponderExcluirabraço irmão.
Haha. Não, a ideia é que a pessoa com essas características identifique-se com o texto, inclusive se for mulher (apesar do título "Esse Cara").
ResponderExcluirAbraço!
Tirando a timidez é tu cara! uahhauah Mesmo porque é impossível escrevermos algo sem que nosso inconsciente nos pregue peças. Ou será essa a consciência coletiva da família jinkings? "Esse cara defendia com tanta força e emoção suas opiniões que todos julgavam que ele estava brigando" uhauhauhauahua
ResponderExcluirgrande abraço meu amigo,
obs e pedido do leitor: texto sobre existencialismo (uahuahuahuahuah)