sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cães: lição de lealdade

Assistir "Sempre ao seu lado" é lembrar de quanta beleza e quanta verdade há na relação do cão com o homem. Esse é um filme que ultrapassa os limites do saudável, fazendo sofrer impiedosamente aqueles que amam esses animais. Mas não é só tristeza. É reflexão. O filme demonstra com clareza o que, infelizmente, muitos nunca conhecerão: a natureza do relacionamento do cachorro com o ser humano por ele escolhido como dono.

A relação do cão com o dono deve ser o mais nobre e mais bonito conviver nesse universo de sensações a que chamamos 'vida'. É pura beleza. É companheirismo, generosidade e abundância de carinho a toda prova. É a definição perfeita – e sem utilizar palavras, versos ou um pedaço de papel – da palavra amizade. Talvez só não se possa dizer completamente desinteressada, porque há duas coisas nos humanos que aos cãezinhos interessam: amor e abrigo. Tão pouco perto do que nós, humanos, queremos, esperamos e às vezes até exigimos.

O cão relaciona-se com o homem com total ausência de rancor. O cão transborda meiguice mesmo depois de gritos ou "afagos" não tão carinhosos assim – e faz questão de demonstrar com o seu rabinho. Não há ressentimento. Não podemos negar que, nesse aspecto relacional, eles é que nos dão um "banho". E que bonito é perceber e, principalmente, poder viver isso. Deveríamos aprender mais com os cães.

O cão nos dicionariza também a palavra lealdade – o que, de certa forma, está contido no conceito de amizade – e o faz, mais uma vez, com atitudes e não com retórica, promessas ou sussurros ao pé do ouvido. O cachorro, como dito, quer pouco e mesmo quando não lhe é dado, impossível abandonar o seu dono. Ele é fiel mesmo quando ao homem falta fidelidade. E é o maior companheiro do ser humano – por que não ser também o seu maior companheiro?

Não percamos a sensibilidade para continuar aprendendo com suas lições. Não ignoremos a importância desses animais para os seres humanos – além de toda a parte afetiva, o que seria de cegos, solitários, idosos, crianças abandonadas? Estejamos sempre atentos e sejamos sempre cuidadosos com eles. E, principalmente, nunca esqueçamos do que aqueles rabinhos, olhinhos e latidos querem nos dizer e ensinar.

O Extraordinário Poder das Palavras

Emana das palavras uma força desmedida. Mas a palavra, o que é? Junta sons articulados, de uma ou mais sílabas, com significação, e tu encontrarás uma delas. Acharás apenas uma de um universo inteiro, chamado Língua Portuguesa. Esse universo, assim como uma floresta ou um oceano, precisa ser desbravado. Ele quer ser conhecido. Afinal, tão poucos o conhecem...

Cada palavra tem poder próprio, como se fosse o seu brilho. Bem dispostas e organizadas, adquirem um brilho cada vez maior: são as frases; são os textos bem construídos; são os livros! Se uma palavra tem força por si só, o que dizer de um livro? Quanto poder e quanto brilho tem um bom livro?

Num mundo de futilidades, os livros são esquecidos. Mas eles não perdem o brilho um minuto sequer. São as pessoas que deixam de percebê-lo. Elas passam a ignorá-lo, renunciando ao brilhoso poder da palavra. Por que isso acontece? Porque a vida está ironicamente corrida e as pessoas esquecem de lembrar de ler. Com tanta informação e com tanta evolução em todos os campos científicos, com tanta leitura disponível, a situação é explicitamente paradoxal.

Ainda há esperança. Morrem ótimos autores, grandes representantes da palavra. Nascem péssimos leitores representando nossa época. Mas a esperança não morre. Enquanto existirem cérebros pensantes, a revolução literária não há de ser utópica.

Agora, peço a palavra para falar-lhes diretamente. Invoco o extraordinário poder da palavra para recomendar-lhes uma viagem. Desejo-lhes uma ótima leitura e espero que minhas palavras possam servir de incentivo para que a revolução aconteça dentro de vocês. Quem lê, viaja. Então, apertem os cintos e façam essa viagem a qualquer lugar, na época que lhes convier, sem padrões. Vocês gostarão, palavra de honra!

Um dia..


Um dia, nostalgicamente, olharemos para trás e veremos que estes vinte e cinco anos das nossas vidas valeram a pena. Tudo aquilo que, sob uma perspectiva jovem, considerávamos erros ou acertos perderá o sentido. Deixaremos de classificar esses acontecimentos. Apenas saberemos que eles tiveram uma participação totalmente decisiva para sermos aquilo que nos tornamos.
Nestes vinte e cinco anos, acumulamos sucessos. Compartilhamos alegrias, sorrisos e choros de derrota. Viajamos juntos, no sentido literal e no figurado. Aprendemos que a vida também é feita de perdas (é, gente, elas existem...). Vivemos, nestes vinte e cinco anos, e como vivemos! E, depois de um tempo, o que importará será a nossa amizade, a experiência que adquirimos e a cumplicidade que se criou entre nós.
Um dia, reuniremos em uma varanda qualquer. Beberemos recordações. Lembraremos de já ter esquecido onde, quando e como nos conhecemos. E como nos tornamos amigos. Apenas seremos. Saberemos uns aos outros. Talvez menos na memória e no dia-a-dia do que no coração. Perguntaremos como a amizade com uma pessoa tão diferente (e nossas diferenças serão ainda mais gritantes) pôde se tornar tão indispensável, apesar da distância que, fatalmente, haverá entre alguns de nós.
Um dia, reviveremos nos nossos filhos a nossa juventude. Olharemos para eles e lembraremos uns dos outros. Recordaremos, indistintamente, pela idade, do Moderno, do Nazaré, de Mosqueiro, de Salinas, das casas uns dos outros, das sensações, dos gostos, dos cheiros... e até do Domingos jogando futebol. Tá bom, essa última talvez não seja uma lembrança tão difusa. É que, indeliberadamente, lembraremos com solidez de alguns fatos. E este, não adianta, ficará na nossa memória. Assim como tantos outros, menos engraçados e mais importantes.
Atrás dessas memórias, um dia, reviraremos fotos amareladas e acharemos velhos bilhetes de amores e de amigos. Constataremos a importância que cada uma dessas pessoas tem nas nossas vidas. Sentiremos falta de algumas delas e não ligaremos para todas, é fato. Algumas, por falta de um número de celular. Outras, por mais estranho que pareça, porque o ser humano tem disso de sentir saudade clandestinamente.  
Um dia, lembraremos de como éramos jovens e vigorosos. Olharemos no espelho e não veremos a mesma mocidade de antes. Os cabelos ficarão grisalhos e surgirão pés-de-galinha. Os nossos músculos perderão a rigidez e teremos que aceitar a velhice. Saberemos que a beleza externa é fugaz. Mas, apesar dessa efemeridade, perceberemos que, por dentro, fomos lapidados.
Entenderemos, um dia, com maior clareza, aquilo que nos diziam nossos pais. Teremos uma saudade absurda deles. Entenderemos tantas outras coisas que pensávamos ser incompreensíveis. Notaremos que o tempo passou. Implacável. Ficaremos velhos, gente. E teremos menos cabelo, é verdade. Mas, um dia, “maduros”, conheceremos e compreenderemos a beleza de envelhecer.

Estações do Amor

As mãos suam. O coração palpita. Os olhos cintilam.

Ah, mas que sentimento é o amor. É sublime. Quanta beleza há em amar plenamente. Aguçam-se os sentidos. Todos. O mundo fica colorido e a vida mais interessante. Quer-se desejar bom dia a todos pelas ruas e gritar ao mundo que você está amando. É hora de planejar e de dividir. É hora de sonhar.

A cabeça vacila. O coração aperta. Os olhos choram.

Mas nem sempre nossos planos se concretizam. Sofrer por amor é inevitável. É como morrer: uma de nossas certezas nessa caminhada. E não deixa de ser uma morte. É o final de um ciclo. Vive-se um luto que vem da perda da pessoa amada, dos sonhos compartilhados, dos projetos que ficarão novamente engavetados, da preguiça de se dar ao mundo novamente e do medo de nunca mais encontrar alguém especial.
 
As lágrimas secam. O coração acorda. Os olhos brilham.

Por mais difícil que pareça, um dia, o sofrimento passa. Depois de tantas manhãs sombrias, um dia, você acorda sorrindo. Surpreende-se e contagia-se com a própria felicidade. A partir daí, você, que antes se sabotava, vira o seu maior cúmplice. É uma descoberta incrivelmente prazerosa. Tornar-se a sua melhor companhia não é nada mau, hein? Admirar-se e sentir-se completo sozinho é outro dos sentimentos lindos do existir e, veja, é outra forma de amar. É amor próprio.

As pernas tremem. O coração floresce. E os olhos, finalmente, amam outra vez.

Sem pedir licença, o amor chega outra vez. E você pensou que nunca mais se apaixonaria. Que bobagem a sua! O ciclo começou de novo e você tem uma nova chance de viver a felicidade na sua plenitude. O amor é a busca do ser humano. E toda forma de amar é revolucionária!

Saudosa Belém



“Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu”.

Oh, minha amada cidade, são versos da canção “Pedaço de Mim” de Chico Buarque de Hollanda: uma triste música que reflete com precisão cirúrgica a desventura de milhares de mães – que são tuas filhas. Quantos quartos teus precisarão ser arrumados, Belém?

No sombrio ranking das capitais mais perigosas do Brasil, figuras como a quarta mais ameaçadora. Mas se considerarmos a totalidade de municípios brasileiros, tu, uma capital, estás no trigésimo quarto lugar. Um detalhe: existem aproximadamente cinco mil e quinhentos municípios no nosso país!

Minha querida Belém, o que fizeram contigo? Transmudaram-te. Ver-te-ei ainda como costumavas ser? Sinto uma saudade enorme do tempo em que andava tranquilamente por tuas ruas. Saudade de poder andar por ti pensando em mim. Por que te abandonaram? Por que me abandonaram?

Precisamos resgatar-te, assim como o orgulho que sentimos por sermos teus. Chegamos a um nível crítico e insustentável de insegurança e de degeneração social. Confesso que já senti pavor por morar em ti. Mas o descaso com que foste e tens sido tratada fez nossa passividade ser substituída pelo ativismo. É, Belém, vamos nos unir para te dar de volta aos nossos filhos. Tu és bela e és nossa!

Nós, o povo que te habita e que te ama, nos organizaremos e interpelaremos com efetividade aqueles que te “governam” (nem governam a si mesmos, não é, cidade querida?). Nós precisamos fazer isso – por ti, por nós e pelos nossos. Não nos calaremos mais uma vez. Na verdade, reivindicaremos, sem medir nossos esforços, o direito de ir e vir com segurança à sombra de tuas mangueiras. Deixaremos de ser reféns, reconquistando a nossa e a tua liberdade.

Recuperaremos o prazer de viver em ti. Prometo que ainda poderemos sentar à porta de nossas casas e saborear teu açaí, teu tacacá e ótimas conversas. Iremos aos próximos Círios de Nazaré e não nos preocuparemos com roubos e furtos em tuas avenidas, em plena comemoração religiosa.

Foste desprezada. É muito triste te dizer isso. Mas podes ficar esperançosa. Com nossa ajuda, também farás a tua parte e formarás cidadãos dignos e conscientes de teu valor. Essas pessoas sempre lutarão pelo direito de te ver linda e segura, como um dia foste, minha querida Belém.