As mãos suam. O coração palpita. Os olhos cintilam.
Ah, mas que sentimento é o amor. É sublime. Quanta beleza há em amar plenamente. Aguçam-se os sentidos. Todos. O mundo fica colorido e a vida mais interessante. Quer-se desejar bom dia a todos pelas ruas e gritar ao mundo que você está amando. É hora de planejar e de dividir. É hora de sonhar.
A cabeça vacila. O coração aperta. Os olhos choram.
Mas nem sempre nossos planos se concretizam. Sofrer por amor é inevitável. É como morrer: uma de nossas certezas nessa caminhada. E não deixa de ser uma morte. É o final de um ciclo. Vive-se um luto que vem da perda da pessoa amada, dos sonhos compartilhados, dos projetos que ficarão novamente engavetados, da preguiça de se dar ao mundo novamente e do medo de nunca mais encontrar alguém especial.
As lágrimas secam. O coração acorda. Os olhos brilham.
Por mais difícil que pareça, um dia, o sofrimento passa. Depois de tantas manhãs sombrias, um dia, você acorda sorrindo. Surpreende-se e contagia-se com a própria felicidade. A partir daí, você, que antes se sabotava, vira o seu maior cúmplice. É uma descoberta incrivelmente prazerosa. Tornar-se a sua melhor companhia não é nada mau, hein? Admirar-se e sentir-se completo sozinho é outro dos sentimentos lindos do existir e, veja, é outra forma de amar. É amor próprio.
As pernas tremem. O coração floresce. E os olhos, finalmente, amam outra vez.
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