domingo, 19 de dezembro de 2010

Graças a Nós, Amém.

Esclareço, inicialmente, que não sou um ateísta. Não nego a existência de Deus. Na verdade, não tenho também muita simpatia com o agnosticismo, porque negar a possibilidade de conhecer a Deus e a origem última do universo, mas não fazer uma proposta sequer é ficar em cima do muro. É não dizer nada. É, em última análise, ser nada. E isso não me convém. Então, apresento a minha posição: o Deísmo. Uma doutrina que enfrenta a questão da existência de Deus através da razão, argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém nos seus pormenores e, por fim, não o humaniza, ou antropomorfiza, se preferirem. Deus é tão Deus lá em casa quanto na igreja. Deus é tão Deus numa forma aparentemente humana quanto como força-motriz ou energia criadora do universo. Deus é Deus ainda que prefiramos chamá-lo por outro nome.

O assunto que me fez pensar em escrever sobre isso não é tão sério como esse primeiro parágrafo os poderia fazer supor. Todavia, obviamente, durante seu desenvolvimento, ganhará os mais altos foros de seriedade – pela relevância que suas primeiras ramificações possuem.

Eis o que me convidou a este debate: constantemente, veem-se jogadores de futebol comemorando gols e louvando a Deus, e inclusive creditando o gol ou a vitória “ao nosso Senhor”. É comum também uma pessoa que se prepara para uma prova muito concorrida dizer “se Deus quiser, eu vou passar”. Ou, ainda, alguém escapar de um acidente aéreo porque perdeu o voo e agradecer a Deus pela fortuna, sendo que alguém teve o dissabor de entrar naquele mesmo avião. Acontece que se Deus é para todos, Ele não intervém – por impossibilidade mesmo – nesses assuntos.

Deus se poupa e guarda sua atenção e seu labor para assuntos em que é mais fácil – ou em que é viável, melhor dizendo – fazer justiça. Já pensaram na complicação que ia ser definir o placar desses jogos de futebol? Zero a zero, um a um ou dez a dez. Acho até que Ele escolheria este último, afinal o público também é filho de Deus. As listas de aprovados, naquelas provas, seriam enormes. Deus – ou o legislador – teria que criar mais vagas, para começar. Os acidentes não aconteceriam, ou, no mínimo, aquela poltrona viajaria vazia. Mas substituir a sorte de um pelo azar do outro? “É o destino”, diriam os mais conformados e menos questionadores, "fez-se a vontade de Deus". Não, Deus não desejaria uma série de coisas que acontecem nesse nosso mundo.

A verdade é que há um tanto a ser feito pelos próprios seres humanos, individual e coletivamente. Deus nos deixou parte do trabalho, meu povo. Temos que acabar com essa mania de atribuir somente a Deus nossas vitórias e infortúnios. Deus, para muitos, existe. Ele coopera, sim, energia que é. Mas é necessária a nossa quase exclusiva contribuição. Nós somos definidores do nosso destino. Precisamos ter no trabalho, na bondade e em nós mesmos – enquanto humanidade – fé idêntica àquela que muitos depositamos no Criador. Deus já fez a parte dele. Criou um mundo de possibilidades lindas. Permitiu-nos a vida. Deixemo-no descansar agora.

Há mesmo, sem nenhuma dúvida, incontáveis manifestações de divindade no nosso mundo. O pensamento positivo e o bem-querer são exemplos. A paz que reina em muitos lugares do mundo e o altruísmo de desinteressados são outros. Mas há diversos outros que, por não terem a cara ou o dedo de Deus, são atribuídos ao demônio ou a outras entidades coléricas. Não, gente, essas outras situações – diversas e horríveis – são do ser humano. O homem tem o bom e o podre em si, e lhe incumbe decidir como agir. O Bem e o Mal – grafados com maiúsculas, como no imaginário popular – estão aqui dentro. Liberemos a parte boa e reprimamos a ruim. Isso é um exercício que só à humanidade cabe.

Por que muitas vezes o destino desta mesma humanidade está nas mãos de pouco mais que vinte homens? Duas dezenas de homens que decidem sobre a política externa de países poderosos bélica e economicamente. Cerca de vinte homens que definem o que outros seis bilhões viverão. Por quê? E em que estão pautadas as suas decisões? Deus guia e ilumina a mente desses homens? Fê-lo no passado, durante as mais sanguinárias guerras que esse globo assistiu? Não, “meu deus”, foi culpa dos homens. O que ocorreu é atribuível somente aos homens.

O homem precisa deixar de se ver vítima e objeto de manipulação de outros homens ou mesmo de uma divindade, cujas vontades são muitas vezes deturpadas pelo próprio homem, porque, em última análise, isso justificará – como justificou, no passado – as condutas mais incompreensíveis. O dogma religioso já legitimou mortes e fez muito sangue derramar. E, com absoluta certeza, não é a isso que se propõe. O “barco” – ou a arca – é o mesmo para todos nós e chegou o momento de darmos mais valor às nossas semelhanças como seres humanos e habitantes da mesma “casa” do que às nossas diferenças quanto às convicções religiosas – e também as políticas, ideológicas, filosóficas. Nós somos responsáveis pelo futuro do Planeta e da humanidade. Deus nada poderá fazer se não nos dermos conta de que somos fundamentais no processo da nossa própria salvação. Vamos acordar enquanto é tempo e mudar – das menores às mais importantes condutas.

Comecei com aqueles exemplos, porque, embora inconscientemente, achar que sua reza é mais forte ou que você é mais merecedor da graça de Deus do que seus semelhantes já é o início de um pensamento egoísta. E o egoísmo, apesar de ser o que mais se vê por aqui, é do que menos precisamos, atualmente.

Que tenhamos um natal maravilhoso, um ótimo final de ano e um doiSMILEonze de mudanças muito positivas. A transformação do mundo começa dentro de cada um de nós.

Um comentário:

  1. Caralho!

    Assino em baixo!
    Falou tudo e mais, muitas coisas das quais poucos sabem e que precisam ser ditas tanto como ensinamentos, tanto como lembrete e cobrança para aqueles que possuem a mesma visão mas que varias vezes é deturpada pelo cotidiano implacável.

    Vamos assumir nossas responsabilidades a partir de um pensamento positivo sendo sempre você mesmo! Que nossa racionalidade seja o filtro para captarmos boas influências!
    Que venha doiSMILEonze!

    Vamos salvar nosso planeta!
    PAZ!

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